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Hemeroteca da Biblioteca Nacional – poesias…

Para quem ainda não sabe da novidade, está no ar a Hemeroteca da Biblioteca Nacional - acesse em http://hemerotecadigital.bn.br. Ali, vários jornais e revistas antiiiiigos estão digitalizados. Dá pra ler e descobrir muita coisa do passado, ver os pontos de vista dos editores e escritores daquela época, etc. E tem também muita coisa engraçada. Vários dos primeiros jornais possuía poesias nas primeiras páginas, e nem posso garantir que sejam de escritores famosos (alguns são dos donos do jornal). E, olha, pelo que encontrei lá, podemos dizer que, desde tempos remotos, já tinha escritores e temas de qualidade "mediana". Veja o texto abaixo e não me digam se não se parece com textos recentes! De: Hugo Leal Em: A Gazeta da Tarde, de 17/02/1881
Louquinha
Louquinha... tu tens uns risos Tremidos, frescos, alegres; São cantos... são paraísos, Os teus risos, Tremidos, frescos, alegres. Louquinha... Tu tens uns beijos, Molhados, quentes, macios... São punhais de maus desejos Os teus beijos Molhados, quentes, macios. Louquinha... Tu tens uns olhos, Onde naufrago em ardência... São uns acesos abrolhos, Os teus olhos, Onde naufrago em ardência. Louquinha... Tu tens uns seios, Ondados, voluptuosos... São cataratas de anseios, Os teus seios Ondados, voluptuosos.

Krull’s HomePage: 16 anos!

É hoje! Nosso site completa 16 anos!!! 🙂 Há 16 anos a primeira versão (que ficava lá no Geocities, qu enão existe mais), entrou no ar! Muita coisa aconteceu de lá pra cá, um monte de seções deixaram de existir (Downloads?... bah!), o site passou a ficar com formato de blog, e por aí vai. A você que nos lê (não deve ser muita gente, ainda que os relatórios de log digam o inverso), muito obrigado e continue vindo aqui! Prometo pela milésima vez voltar a escrever mais por aqui... 🙂

Kindle

Quando li que, depois que você tem um Kindle, você lê muito mais, sua velocidade de leitura aumenta, etc, cheguei a duvidar. Até ter um. É. Agora tenho um, e agora eu leio beeeeem mais - no momento, lendo uma montanha de e-book que eu já tinha, mais um outro bando que sempre quis ler e estão lá no DominioPublico ou sites como o Gutenberg, Manybooks, etc, e até então não tinha lido. Ainda não tive a experiência de COMPRAR um e-book e jogar lá pra dentro - e já sei que, comprando em sites como Cultura ou Saraiva, vou ter que fazer uma bela acrobacia para "desproteger" o arquivo que comprei, para poder jogar para dentro do Kindle - mas também ainda tenho tanto livro em papel para ler, mais uma quantidade quase infinita de livros eletrônicos "free" que me interesso de ler, sem contar outros tantos periódicos, revistas, etc, que recebo já em PDF, que, sei não... acho que vai demorar até aparecer um livro novo (e que eu dê "sorte" de sair em formato eletrônico) que eu vá comprar para colocar lá dentro. Uma coisa chata que acontece aqui no Brasil é o fato de as editoras "fugirem" da Amazon (aí a gente tem que fazer malabarismos com os arquivos se quisermos ler num leitor "decente", ao invés de ler em tablets). Como a Amazon pretende instalar uma loja virtual "brasileira" até o fim do ano, imagino que as coisas devem mudar. Espero que apareçam mais (e melhores) livros em Português, etc. Porque, cá entre nós: a leitura em e-paper e muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito mais confortável que qualquer tela "luminosa". É, realmente, praticamente igual a olhar para uma folha de papel... e vai chegar uma hora que vou cansar de ler livros antigos. 🙂

Jornal do Brasil – Especial Drummond – Crônica no “Jornal do Brasil”, em abril de 1977: “Se eu fosse consultado” 

Fonte: Jornal do Brasil - Especial Drummond - Crônica no "Jornal do Brasil", em abril de 1977: "Se eu fosse consultado" .

Crônica no "Jornal do Brasil", em abril de 1977: "Se eu fosse consultado" Jornal do Brasil Se eu fosse consultado (Quinta-feira, 14 de abril de 1977) Carlos Drummond de Andrade Se me dessem a honra de ouvir-me sobre as reformas políticas, eu recomendaria uma ideia bem mais revolucionárias do que as da própria Revolução. E muito mais salutar: a eleição integral, em que todos os brasileiros, mas todos, sem exceção das crianças, hoje tão sabidas, escolhessem seus representantes e dirigente, sob a forma de voto mental absoluto, sem papagaiadas formalísticas. Os mandatos teriam a duração exemplar de 24 horas, o que eliminaria angústias e infartos, e poderiam ser, não digo cassados, pois julgo a expressão extremamente antipática, mas revogados, caso no fluir dos minutos o eleitor achasse que fizera má escolha. Em compensação, poderiam ser renovados na manhã seguinte e nas outras manhãs, sempre que o eleitor se mantivesse contente com os mandatários e não quisesse experimentar outros. Desta maneira teríamos a cada sol, ou a cada dia de chuva, governo e representação popular novos, que, se fossem ótimos, poderiam ser confirmados quando o galo cantasse outra vez (o galo ou a serraria do bairro), e, caso não dessem no couro, teriam feito o menor mal possível à mente do seu eleitor. Já sei que impugnariam o meu projeto, apontando-lhe mil inconvenientes, entre os quais o de provocar a anarquia governamental e legislativa, pois não haveria um só presidente, e sim talvez milhões,  dada a tendência de muito eleitor a votar em si mesmo, o que se repetiria para a eleição para governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Podendo até dar-se o caso de  um mesmo indivíduo eleger-se simultaneamente para todas essas funções. Como governar, como elaborar leis desta maneira? Bem, eu já previa esta objeção principal, como tantas outras, e afirmo que a explanação da ideia fará com que ela rutile em seu justo e convincente esplendor. Os órgãos políticos assim constituídos não trariam a menor perturbação à vida do país. Pelo contrário, só poderiam ofertar-lhe benefícios, pela soma de boas influências de cada eleito, no ânimo de seu respectivo eleitor. A democracia funcionando dentro de nós, com eficácia, e não supostamente do lado de fora, sujeita a esbarrões e desvios. Nisso consiste a beleza do meu sistema. Eu, por exemplo, me daria o prazer, ou o privilégio, de ser governado em 1° de janeiro por mestre Alceu Amoroso Lima. Para renovação da alegria, meu presidente no dia 2 seria Maria Clara Machado (Que diabo, então mulher inteligente não pode assumir o posto?) Depois seria a vez de César Lates, Vinícius de Moraes, Paulo Duarte, Prudente de Morais, neto, essa folha-de-malva que se chama Henriqueta Lisboa, Aliomar Baleeiro, Luis da Camara Cascudo, Fayga Ostrower, Pedro Nava, Francisco Mignone, Enrico Bianco, Eliseth Cardoso, Orígenes Lessa, Fernanda Montenegro ... Tudo gente boa, de respeito. E de imaginação. Estes, e outros assim, os meus presidentes ao longo do ano. Meus vizinhos escolheriam os deles. Ninguém brigando por motivo de ambição. Em santa paz, cada qual seria governado, orientado, instigado pela figura de sua dileção. Por serem de jurisdição limitada ao âmbito das pessoas que os elegessem, não colidiriam entre si tantos presidentes, situados na extensão infinita ( e mínima) … Continue Reading ››