Foram anos e anos de muito uso. Por muito tempo, foi a alegria de seu dono. Música, vídeo, fotografias, mensagens... pode-se dizer que parte da história de vida de um ser humano e suas relações ficaram registradas ali. Não, não é que essa história se perdeu: a tecnologia permitiu que isso fosse "encarnado" em outro dispositivo... mas está lá, no fundo da gaveta, um "antigo" smartphone, com tecnologia defasada de vários anos (pode botar uns 15 anos nessa conta), abandonado, e que provavelmente nem liga mais... mas ele foi o começo de uma série de "vícios tecnológicos". Ele e muitos contemporâneos, ao redor de todo o mundo, hoje estão também abandonados - fora os que foram parar no lixão - apenas como memória de um tempo que não volta. Um tempo em que se acreditava que, dali pra frente, seria "só sucesso".
De certa forma, foi verdade. A revolução tecnológica efetivamente seguiu em frente. Muita evolução. Tecnologia cada vez mais presente, em todo o momento, facilidade absurda de acesso a informação ou contato. Mas houve um preço. E o preço veio para a humanidade inteira. E o preço nem é o custo para comprar o aparelho, é o preço de manter a saúde mental. Pois a tecnologia trouxe facilidades também para coisas que não se desejava, e que acabaram também viciando as pessoas.
Aquele antigo smartphone ali não imaginava que suas notificações frequentes (menos do que as de hoje, já que a quantidade de apps era menor, e as redes sociais não engajavam tanto) iriam desencadear problemas de sono, ansiedade, brigas, burnout, pessoas praticamente controladas e dominadas pelo aparelho que deveria apenas ajudá-las.
O futuro que era previsto acabou muito distorcido. Hoje a briga é para controlar o que hoje controla. E ainda tem a IA para adicionar a essa mistura...
O smartphone da gaveta está questionando o que é IA.