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My Footprint / Slavery Footprint

Esse post está em andamento há várias semanas. Fiquei matutando em como tratar, o que dizer, como explicar sobre o que quero falar. Acho que vou começar explicando o que é a Fundação "Made In A Free World". Fundada pelo artista Justin Dillon, essa organização visa combater a escravidão e espalhar a liberdade para todos ao redor do mundo. Pois bem, como é sabido, a escravidão ainda rola solta ao redor do planeta. E geralmente nos países onde a produção é maior - China, e tal, mas não só lá, e não falamos apenas de produtos industrializados. Enfim, a organização criou um site que serve para responder à pergunta "Quantos escravos trabalham para você?". Sim, isso mesmo. Você, aqui no Brasil, achando que não explora escravos, etc.. mas, veja, para você ter a vida que você tem, ter os produtos que você tem, eles tiveram que ser produzidos por alguém. E esse alguém pode ter sido um escravo. Já parou para pensar nisso? O site é um "quiz", em que você responde a várias perguntas (onde você mora, se tem casa, carro, que produtos e quantos de cada tipo tem em casa, etc, etc), e, ao final, ele calcula (aproximadamente) quantos escravos foram usados para 'manter' a sua vida como ela é hoje. No meu caso, sabendo que errei numa das perguntas porque não tinha entendido ainda como funcionava o contador de itens, e estou com preguiça de refazer, deu 40. Já me sinto, infelizmente, um escravocrata... Quem quiser fazer o teste, segue o link: My Footprint / Slavery Footprint. E me diga como foi seu resultado!

Sermão da Planície (para não ser escutado)

Crônica de Carlos Drummond de Andrade publicada no Jornal do Brasil, em 18/06/1974. Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade. Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expoem ao risco de assistir as partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte. Bem-aventurados os que não têm a paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamo, ou nem isto. Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio. Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia. Bem-aventurados os que não são cronistas esportivos, pois não carecem de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura. Bem-aventurados os fotógrafos que trocaram a documentaçãoo do esporte pela dos desfiles de modas, pois não precisam gastar tempo infindável para fotografar o relâmpago de um gol. Bem-aventurados os fabricantes de bolas e chuteiras, que não recebem as primeiras na cara e as segundas na virilha, como os atletas e assistentes ocasionais de peladas. Bem-aventurados os que não conseguiram comprar televisão a cores a tempo de acompanhar a Copa do Mundo, pois, assistindo pelo aparelho do vizinho, sofrem sem pagar 20 prestações pelo sofrimento. Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondar das bombas da vitória, que fabricam outros surdos, nem o matraquear dos locutores, carentes de exorcismo. Bem-aventurados os que não moram em ruas de torcida institucionalizada, ou em suas imediações, pois só recolhem 50% do barulho preparatório ou comemoratório. Bem-aventurados os cegos, pois lhes é poupado torturar-se com o espetáculo direto ou televisionado da marcação cerrada, que paralisa os campeões, ou do lance imprevisível, que lhes destrói a invencibilidade. Bem-aventurados os que nasceram, viveram e se foram antes de 1863, quando se codificaram as leis do futebol, pois escaparam dos tormentos da torcida, inclusive dos ataques cardíacos infligidos tanto pela derrota como pela vitória do time bem-amado. Bem-aventurados os que, entre a bola e o botão, se contentaram com este, principalmente em camisa, pois se consolam mais facilmente de perder o botão da roupa do que o bicho da vitória. Bem-aventurados os que não confundem a derrota do time da Lapônia pelo time da Terra do Fogo com a vitória nacional da Terra do Fogo sobre a Lapônia, pois a estes não visita o sentimento de guerra. Bem-aventurados os que, depois de escutar este sermão, aplicarem todo o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração.

World Press Photo 2014

Assim como no ano passado, fui visitar a Exposição World Press Photo, aqui no Rio - por sinal, acaba amanhã. Quase perco o prazo, mas consegui ver as melhores fotos (de acordo com o júri). E mais uma vez, não achei lá grandes coisas a foto que eles acham que seja a melhor: uma foto tirada à noite no litoral de cidade de Djibuti, em que aparecem vários imigrantes com o celular levantado, buscando sinal da vizinha Somália (para contactar seus parentes, obviamente). Quem quiser ver a foto, pode acessar neste link aqui. O que mais me impactou desta vez foi mais uma foto envolvendo a tristeza de uma criança (e que ficou em  segundo lugar na categoria "assuntos contemporâneos"). É uma foto que mostra uma criança em um orfanato em Varsóvia, Polônia. Ela está lá, junto com 4 irmãos, desde que sua mãe foi presa, e o pai foi considerado inapto a ficar com as crianças (desempregado, cheio de dívidas, cheio de processos, etc). A tristeza é tão grande, que nem dá pra ver o rostinho da menina. Veja a foto, mais abaixo. E essa tristeza nos faz refletir (ou deveria fazer). Sem dúvida, esse é o tipo de coisa que acontece em muitos orfanatos ao redor do mundo inteiro. Esses pais irresponsáveis não se dão conta da situação que deixam seus filhos. Ponha-se no lugar da Nicolette (nome da menina da foto): um dia você está feliz com seus irmãos em casa, com sua mãe, e no outro dia, você nem tem casa, nem mãe, nem pai, não tem suas coisas, seus brinquedos... e cai num lugar com um monte de criança em situação parecida, que você não conhece... imagine a insegurança que essa criança deve sentir, em relação a tudo. Note a alegria dela sendo jogada no lixo. Dá pra ver que ela não tem nem vontade de nada. Brinquedos ao lado dela, e nada. Fica lá, sozinha no cantinho, triste, como uma criança jamais deveria ser. worldpressphoto2014(Fonte e mais informações sobre a foto: http://www.worldpressphoto.org/awards/2014/contemporary-issues/maciek-nabrdalik) Enfim, me diga, o que você achou dessa foto? Se quiser ver as demais fotos, acesse aqui. A primeira colocada geral é a foto maior que aparece logo no início (você vai ver, o pessoal com  o celular levantado). Qual você gosta mais? Se quiser relembrar o post do ano passado, veja aqui.

Viva Krul(l)!!!

Foi só o nosso goleiro holandês favorito aparecer, após entrar no último minuto contra a Costa Rica só para defender 2 gols na decisão por pênaltis que nosso site começou a receber visitas divertidas como "família Krull" (esquece, não vai achar nada aqui), " tradução de inglês para português krull" (use o Google translator, e já aviso que não tem isso em Inglês. Experimente Holandês), etc. Tim-Krul A todos os novos visitantes, muito obrigado. E ao goleirão, que sabia que ia detonar, parabéns!!! Nos vemos na final - quer dizer, você, quietinho no banco de reservas, e o Brasil ganhando no tempo regulamentar, para você não nos atrapalhar com esses tais de pênaltis! 🙂