Mortal Kombat - Skarlet, by beethy Todos os posts de Krull
Deviation do dia
Selo da Finlândia
18 anos de Krull’s HP – Asm 2014 – falta pouco
Está chegando a hora! Hoje completamos 18 anos no ar, e amanhã começa a AsmParty 2014!!!!!!
Cartão diferente
Começando a semana
Deviation for the weekend
My Footprint / Slavery Footprint
Esse post está em andamento há várias semanas. Fiquei matutando em como tratar, o que dizer, como explicar sobre o que quero falar. Acho que vou começar explicando o que é a Fundação "Made In A Free World".
Fundada pelo artista Justin Dillon, essa organização visa combater a escravidão e espalhar a liberdade para todos ao redor do mundo. Pois bem, como é sabido, a escravidão ainda rola solta ao redor do planeta. E geralmente nos países onde a produção é maior - China, e tal, mas não só lá, e não falamos apenas de produtos industrializados. Enfim, a organização criou um site que serve para responder à pergunta "Quantos escravos trabalham para você?". Sim, isso mesmo. Você, aqui no Brasil, achando que não explora escravos, etc.. mas, veja, para você ter a vida que você tem, ter os produtos que você tem, eles tiveram que ser produzidos por alguém. E esse alguém pode ter sido um escravo. Já parou para pensar nisso? O site é um "quiz", em que você responde a várias perguntas (onde você mora, se tem casa, carro, que produtos e quantos de cada tipo tem em casa, etc, etc), e, ao final, ele calcula (aproximadamente) quantos escravos foram usados para 'manter' a sua vida como ela é hoje. No meu caso, sabendo que errei numa das perguntas porque não tinha entendido ainda como funcionava o contador de itens, e estou com preguiça de refazer, deu 40. Já me sinto, infelizmente, um escravocrata...
Quem quiser fazer o teste, segue o link: My Footprint / Slavery Footprint. E me diga como foi seu resultado!
Sermão da Planície (para não ser escutado)
Crônica de Carlos Drummond de Andrade publicada no Jornal do Brasil, em 18/06/1974.
Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.
Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expoem ao risco de assistir as partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.
Bem-aventurados os que não têm a paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamo, ou nem isto.
Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio.
Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia.
Bem-aventurados os que não são cronistas esportivos, pois não carecem de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura.
Bem-aventurados os fotógrafos que trocaram a documentaçãoo do esporte pela dos desfiles de modas, pois não precisam gastar tempo infindável para fotografar o relâmpago de um gol.
Bem-aventurados os fabricantes de bolas e chuteiras, que não recebem as primeiras na cara e as segundas na virilha, como os atletas e assistentes ocasionais de peladas.
Bem-aventurados os que não conseguiram comprar televisão a cores a tempo de acompanhar a Copa do Mundo, pois, assistindo pelo aparelho do vizinho, sofrem sem pagar 20 prestações pelo sofrimento.
Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondar das bombas da vitória, que fabricam outros surdos, nem o matraquear dos locutores, carentes de exorcismo.
Bem-aventurados os que não moram em ruas de torcida institucionalizada, ou em suas imediações, pois só recolhem 50% do barulho preparatório ou comemoratório.
Bem-aventurados os cegos, pois lhes é poupado torturar-se com o espetáculo direto ou televisionado da marcação cerrada, que paralisa os campeões, ou do lance imprevisível, que lhes destrói a invencibilidade.
Bem-aventurados os que nasceram, viveram e se foram antes de 1863, quando se codificaram as leis do futebol, pois escaparam dos tormentos da torcida, inclusive dos ataques cardíacos infligidos tanto pela derrota como pela vitória do time bem-amado.
Bem-aventurados os que, entre a bola e o botão, se contentaram com este, principalmente em camisa, pois se consolam mais facilmente de perder o botão da roupa do que o bicho da vitória.
Bem-aventurados os que não confundem a derrota do time da Lapônia pelo time da Terra do Fogo com a vitória nacional da Terra do Fogo sobre a Lapônia, pois a estes não visita o sentimento de guerra.
Bem-aventurados os que, depois de escutar este sermão, aplicarem todo o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração.






