Google reserva 1 milhão de números telefônicos

Para não parecer que esse site agora só anuncia “o fim disso”, “o fim daquilo”, etc (e olha que lhes poupei de comentar o “fim” do Yahoo! 360°, até porque suas funcionalidades serão, na verdade, substituídas pelas novidades do Yahoo! Profile) , vem aí uma notícia interessante… de algo que ainda vai começar, mas promete ser mais uma daquelas loucuras que todo mundo vai querer participar na rede.

Como o título do post antecipou, é isso mesmo, o Google reservou 1 MILHÃO de números telefônicos para serem usados no Google Voice – que oferecer agregar, gratuitamente, através de um único número, todos os telefônicos de cada usuário. É mais ou menos como se, uma vez cadastrado, você não precisasse mais informar todos os seus números telefônicos a seus contatos (telefone(s) residencial(is), celular(es), comercial(is),…). Bastaria um só, e as pessoas te achariam através dele, incluindo caixa postal, etc. Não me pergunte como, pois ainda não testei – ainda nem há data para que ele seja disponibilizado ao público, mas quem usa, aprova.

Só que, “algo” me leva a crer que os números serão todos lá nos states… Será que vão lançar serviço com números especais por aqui também? Seria razoável e possível, já que o Skype tem (e o Yahoo! Voice só não tem por pura preguiça).

Veja mais informações aqui nessa reportagem.

O fim do criador do Krull = Barboooosa

29/05/1955 – 05/06/2009

Morreu na madrugada do dia 5, José Renato Soares Nunes, aquele que, quando eu era criança, me esforçava por imitar (tentando ser estudioso…) – até certo ponto deu certo, mas ele era bem mais sociável que eu, e, pelos títulos, muito mais “sinistro”.

Se havia alguém que servia de exemplo de pessoa que veio de baixo, e que poderia vencer pelo estudo, com dedicação, esse foi ele…

servletrecuperafotoNunca vou me esquecer de você, tio… Nunca me esqueci, e não deveria ter deixado de ir passear aí lonjão, quando pude, a ainda dava tempo de nos vermos e conversar… Sentiremos falta daquele seu sorriso, do seu jeito de falar, seu sonzinho no violão, sua sabedoria sobre tudo que é assunto…… E sua ligação com o meio-ambiente, tão grande que foi morrer bem no dia dele!…

Descanse em paz, tio…


Bom… o post acaba aqui, por falta de palavras.

O fim do Geocities

Parece até que eu estava adivinhando, mas podemos dizer que a Krull’s HomePage, mais uma vez, está à frente do seu tempo: o Geocities (onde estivemos desde a fundação de nosso site em 1996, até o fim de 2008), vai fechar as portas.

É triste ver mais um serviço gratuito fechando as portas… o Geocities sempre foi a solução mais “óbvia” para novatos que desejassem criar sua homepage, que não fosse necessariamente um “blog” (estes, provavelmente, iriam procurar o Blogspot)  – afinal de contas, o Geocities foi pioneiro nesse tipo de serviço (pode até não ser o primeiro, mas foi um deles, e na época, com certeza era o melhor). Mas, infelizmente, era visível que, nos últimos anos, o serviço estava totalmente abandonado pelo Yahoo!.

Há quanto tempo você não via nada de novo lá? E há quanto tempo o espaço disponível para os usuários vinha “encolhendo” ao invés de aumentar (como acontecia no início)? Pois é. Nos últimos anos, os interesses finaceiros vieram tomando o lugar do Geocities, e os donos deram cada vez mais ênfase na sua versão paga, até chegarem o ponto atual: a única versão que continuará no ar é a versão paga. Pagando, beleza, você fica com o site lá.

Só que, aí, a meu ver, eles vão ter um problema: o serviço pago do Yahoo! é muito ruim. Depois de muito pesquisar, fiquei onde estou hoje, no Bluehost. Atualmente, tanto ele quanto o Dreamhost são infinitamente superiores ao serviço de hospedagem pago do Yahoo!

Espaço ilimitado, hospedagem de quantos domínios e quantos sites você quiser colocar na sua área, contas de e-mail quase ilimtadas, hospedagem e instalação automática de inúmeros scripts (incluindo blogs, servidores de conteúdo, lojas virtuais, formulários, analisadores de logs, backup programado automático, etc, etc, etc…), posibilidade de hospedagem de sites com PHP, Perl, Ruby… poxa, é tanta coisa, e o Yahoo oferecendo só o básico do básico, com um site só, cobrando os olhos da cara…

Sei não, mas assim o Yahoo! vai acabar sendo obrigado a repensar as ofertas da Microsft…

Fim (teórico) da Migração da Seção “Programação”

Queridos colegas programadores e que tanto vêm aqui para pesquisar sobre Assembly e algo mais: A página Programação está, a princípio, já toda “migrada” para o novo formato. Se quiserem/puderem testar, me avisem se ficou bom… se todas as subpáginas estão ok, no mesmo formato, ou se aindaalgo está caindo na versão antiga, etc.

Isso ainda não vale para os Tutoriais de ASM – esses eu ainda vou migrar pra cá, bem como atualizar todos eles, até os arquivos ZIP para apontarem para o novo endereço do site… por favor tenham um pouco mais de paciência, mas podem continuar me visitando… 🙂

Nyasia – Now and Forever

Nyasia – Now And Forever

With just one touch I can feel my body give in
Now is the time,
I can not hide the desire I feel inside.
Won’t you take all of my love and stay the whole night?
Now we’re two hearts, two hearts that were made as one,
Theres no one else I want!

Baby now and forever won’t you stay with me always?
You’re the one that gives one touch and I can’t let go!
Baby now and forever won’t you stay with me always?
I’m the one that gives one touch and you can’t let go!

Hold me in your arms,
Can’t you feel my heart beats rapid pace?
This room feels so hot as if the fire keeps burning and never stops.
Won’t you place your hand in mine and never go away?
Show me all of the passion you have inside,
Take your own stride and love!

Baby now and forever won’t you stay with me always?
You’re the one that gives one touch and I can’t let go!
Baby now and forever won’t you stay with me always?
I’m the one that gives one touch and you can’t let go!

Raul Seixas e a Bíblia

(por Luiz Sayão)

É fato conhecido que um dos pioneiros do rock nacional, que fez muito sucesso há cerca de três décadas, foi o controvertido Raul Seixas. Numa mistura de protesto e busca por respostas para a vida, o conhecido “Raulzito” causou a mais diversificada reação em todo o país.

Pouca gente sabe que o falecido roqueiro conheceu o Evangelho de Cristo. Chegou até mesmo a ter um filho com sua primeira companheira, que era filha de um missionário norte-americano. Todavia, a perspectiva panteísta e agnóstica de Raul Seixas mostrou que o famoso cantor não abriu o coração para a mensagem do Evangelho. Sua morte não deixa dúvidas sobre isso!

Por incrível que pareça, se Raul Seixas não se deixou influenciar pelas boas novas de Jesus, parece-me que suas idéias estão cada vez mais presentes na realidade evangélica contemporânea. Será possível que estamos  caminhando para uma “teologia do Raul Seixas”? Será que teremos um evangelho “maluco beleza”? O amigo leitor pode dar sua própria opinião.

Enquanto as Escrituras deixam claro que existe apenas um Deus verdadeiro, que está acima de sua criação (Is 44.6; Rm 1.18-21), a perspectiva panteísta aparece expressa na música “Gita”, de Raul. Ele afirmava: “Eu sou a luz das estrelas / A mãe, o pai e o avô / O filho que ainda não veio / O início, o fim e o meio.” Este enfoque tenta tirar de Deus a glória que só Ele tem e merece. De modo geral, o panteísmo que deifica a natureza acaba definindo como categoria suprema o fluxo do movimento. Heráclito sorriria no túmulo. Tais idéias, muito presentes nos filmes norte-americanos mais populares, parecem emergir do conceito de que Deus é uma energia, “um fluir” (unção?). Em certos redutos evangélicos já se pode perceber que Deus se tornou “um poder manipulável” por “comandos determinadores”. Além disso, o enfoque da teologia do processo, que já nos influencia com todos os seus desdobramentos específicos, também diminui Deus e o coloca sob o domínio do “fluxo do tempo”, sugerindo que Ele é apenas nosso sócio na construção da história.

METAMORFOSE AMBULANTE

A idéia da supremacia do fluxo do tempo desemboca na rejeição de outras categorias fixas. A única categoria é o próprio tempo, o novo senhor absoluto. Com esse pressuposto, já não podemos ter teologia e ética definidas e claras. Embora a Bíblia seja um livro de orientações muito cristalinas sobre Deus, a salvação e o propósito da vida (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.19-21), para muitos evangélicos, a teologia “maluco beleza” é preferível. Como diria Raul: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” Se uma opinião for antiga, deve ser rejeitada! Há uma crise doutrinária e teológica em boa parte do meio evangélico. Muitas pessoas adotam hoje idéias liberais, místicas e extremistas sem a devida avaliação. Nesse caso, não importa sua fundamentação teológica, histórica e lógica. Viva a metamorfose!

Tal sensação de indefinição, presente no pensamento do roqueiro tupiniquim, ajudou a formar seu perfil estranho, controvertido e até mesmo bizarro. Não é que um grupo significativo de evangélicos também já tem se aproximado do esdrúxulo?! Há um certo desprezo pela reflexão, pela teologia, e o crescimento de práticas risíveis e simplesmente inacreditáveis. Será que podemos ouvir o eco da música de Raul ao contemplar grande parte do chamado meio evangélico atual? Será que estamos diante do “Contemplando a minha maluquez / Misturada com minha lucidez”? Até onde vai a nossa “maluquez”? Será que voltaremos à lucidez? Será que muitas reuniões religiosas de hoje estão nos deixando, “com certeza, maluco beleza”? Espero que essa sensação seja um exagero! Todavia, temo que não seja!

Não faz tanto tempo assim, os cristãos evangélicos entendiam que um culto de adoração a Deus tinha, de fato, Deus como o centro do culto. Muitos cânticos tinham letra elaborada, teologia saudável e enfatizavam os atributos e os atos de Deus. No entanto, em algumas reuniões dominicais de hoje, temo que o foco esteja sendo mudado. Novas canções falam de um amor quase romântico e indefinido, divertem a massa, exaltam unção, montanhas, Jerusalém, guerra etc. O conceito de dedicar o domingo para uma diversão sem propósito e finalidade bíblica é manifesta na teologia do Raul Seixas. Como ele mesmo dizia: “Eu devia estar contente pelo Senhor ter me concedido o domingo para ir ao jardim zoológico dar pipocas aos macacos”. Será que já podemos observar “uma fauna evangélica com suas macaquices litúrgicas”? Tomara que não! Espero que tudo que escrevo não passe de uma análise exagerada! Todavia, temo que não.

Como todo enfoque teológico, o pensamento do “teólogo-músico pós-ortodoxo” nacional, também possui as suas decorrências de ordem prática. Não há como fugir da realidade. A forma de pensar e ver o mundo influencia e determina a vida prática de qualquer pessoa. A verdade é que se adotarmos uma base panteísta, um pensamento relativista, uma ética indefinida e práticas místicas emocionalistas sem conteúdo, não chegaremos a lugar nenhum. E não é que o “grande teólogo-roqueiro” já sabia disso! Quem pode lembrar de sua “perspectiva teleológica” que determinou seu trágico fim? “Este caminho que eu mesmo escolhi / É tão fácil seguir/ Por não ter onde ir.”

Se a igreja evangélica brasileira desvalorizar a doutrina bíblica, desprezar a teologia, deixar de lado a ética e afundar-se no misticismo e nas novidades ideológicas frágeis, logo ela descobrirá que esse é um caminho “tão fácil de seguir”. O grande problema é que no final das contas “não teremos para onde ir”.

Mais do que nunca, precisamos desesperadamente voltar nossa atenção para as Escrituras Sagradas, com o verdadeiro desejo de obedecer a Deus e à sua verdade. Que Deus nos abençoe.

Fontes:
http://www.informativobatista.com/news.php?readmore=1466
http://chiktsgospel.blogspot.com/2007/11/raul-seixas-e-bblia.html

Página de Programação

Como você talvez tenha notado, adicionei uma nova página aqui no blog… acesse ali no menu do lado, ou nesse link, a nova página de Programação – que é mais uma parte da migração da página antiga para cá.

Mas eleve em consideração que a migração ainda não está pronta e as demais páginas linkadas ali ainda estão abrindo no formato antigo.

Por enquanto!…

Dia do Filatelista

E hoje, enfim, é o Dia do Filatelista Brasileiro – como antecipamos com a publicação daquele poema, há dois dias atrás (se você não leu o pema, veja logo mais abaixo… vamos, você consegue, você chega lá…).

Antes de mais nada, parabéns a todos os filatelistas!!! E em seguida, adiciona aqui abaixo um material veiculado pelos Correios em relação a esta data tão querida.


 

5 DE MARÇO – DIA DO FILATELISTA BRASILEIRO

 
Os Correios comemoram hoje (5/3) o Dia do Filatelista. Há mais de um século e meio, o hábito de colecionar selos tem atraído um grande número de aficionados, por todo o mundo. Esse tipo de colecionismo é denominado “Filatelia” (do grego fila = amigos e telos = selo); seu praticante é o filatelista. Contudo, nem só de selos vive o filatelista; na sua coleção também se encontram carimbos, franquias mecânicas, folhas comemorativas e blocos.
 
A Filatelia se tornou uma atividade cultural. Os selos comemorativos, por exemplo, registram os aspectos socioculturais das nações, tornando-se fontes inesgotáveis de pesquisa, entretenimento e investimento.
 
Os Correios vêm promovendo a revitalização da Filatelia no Brasil, por meio de projetos que divulgam o hobby. Um deles é o Projeto Correios nas Escolas, que visa estimular alunos e educadores a utilizar os selos postais como instrumento de cultura, pesquisa, entretenimento e integração social. Entre outras ações, o projeto já promoveu ampla distribuição de material promocional para professores, autorizou a impressão de selos em livros didáticos recomendados pelo MEC e incentivou a criação de clubes filatélicos na rede escolar, fomentando essa atividade por meio da organização de mostras e exposições nas escolas.
 
No contexto dessa popularização, os Correios instituíram em 2001 o Troféu Olho-de-Boi, concedido ao artista criador do selo mais bonito do ano. Em 2003 foi lançado o Prêmio Correios Jovem Colecionador, destinado a destacar a melhor coleção filatélica montada por alunos do Ensino Fundamental em todo o País, estimulando-os a colecionar selos e utilizá-los como elemento de pesquisa nos trabalhos escolares.
 
HISTÓRIA
 
Em cinco de março de 1829, D. Pedro I baixou um decreto que organizou os Correios do Brasil, definindo tarifas e outras questões de importância para o desenvolvimento dos serviços postais. Essas medidas culminaram com a independência e a organização dos Correios do Brasil, possibilitando que, em 1º de agosto de 1843, 14 anos depois, fosse emitido o primeiro selo postal brasileiro.
 
Mas a decisão de tornar o 5 de março, o “Dia do Filatelista”, ocorreu somente em 1969, em São Paulo , durante um congresso organizado pela Comissão Estadual de Filatelia.
 
O Brasil foi o segundo país do mundo e primeiro das Américas a adotar o selo postal como comprovante de franqueamento, graças ao pioneirismo do Imperador D. Pedro II, que sensível às idéias inovadoras da época, vislumbrou no  Penny Black, primeiro selo emitido no mundo, em 1º de maio de 1840, na Inglaterra, uma conquista que marcaria definitivamente o destino dos Correios.
 
Entre selos, coleções e medalhas, a Filatelia movimenta um mercado de clientes apaixonados por arte, comunicação e cultura.
 
 
ALGUNS DADOS RELACIONADOS AOS SELOS
 
O valor de um exemplar de selo varia de acordo com sua raridade. O valor real aumenta após dois anos da data de sua emissão. Isto porque, expirado este prazo, o selo é retirado de circulação e passa a ter um valor agregado que pode superar de longe o preço que traz estampado.
 
Selos comemorativos costumam ter tiragem menor e, portanto, são mais valorizados. É o caso, por exemplo, das edições especiais de Natal e Ano-Novo, que se esgotam rapidamente.
 
CUIDADOS ESPECIAIS
 De valor inestimável, o selo requer cuidados especiais ao ser manuseado:
 
● Rabiscar, amassar ou rasurar um exemplar é quase um crime;
 
● A data de lançamento do selo precisa ser sempre respeitada. Quanto ao uso dos selos comemorativos/especiais em correspondências, há ações muito importantes relacionadas à picotagem, colagem e carimbação;
 
● O sistema de picotagem deve ser observado durante a separação dos selos recebidos em folhas compactas, por ocasião da comercialização no varejo;
 
● Ao afixar os selos no envelope, não utilizar cola branca (escolar) ou goma arábica. Prestar atenção, também, para não afixar os selos uns sobre os outros;
 
● A obliteração (carimbação) deve ser feita com nitidez e com cuidado para não atingir toda a superfície do selo.

Escutatória

(de Rubem Alves)

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.

Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico”), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado”. Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou”. Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”. E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em U definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: Meus irmãos, vamos cantar o hino… Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar.

A música acontece no silêncio.

É preciso que todos os ruídos cessem.

No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós – como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou.

A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada.

Somos todos olhos e ouvidos.

Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem fala.

Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

Selos… 5/3/2009 – Dia do Filatelista

Poesia Filatélica
(Aluísio de Azevedo)

Pedistes selos? Pois selos
Tereis os que apetecerdes,
Encarnados, amarelos,
Azuis, roxos e verdes;

Tê-lo-eis grandes, pequenos,
A farta postos à escolha
Uns melhores, outros menos,
Uns velhos, outros em folha.

Mandar prefiro os antigos,
De velhos, cansados povos
Pois os selos, como amigos,
Mais valem velhos que novos.

Tê-los-eis dos mais legítimos
desde o tempo dos Henriques,
Em réis, centavos, cêntimos,
Em shillings e peniques.

Tê-los-eis com vários bustos
Tê-los-eis de vários anos,
De imperadores vetustos
E chefes republicanos.

Tê-los-eis de vários gostos,
Firmados em línguas várias,
Mostrando diversos rostos
De personagens lendárias

Rostos de moços e velhos
Que humildes povos incensam,
E de importantes fedelhos
que já reinam e ainda não pensam ;

De rainhas primitivas
Que a nós só contam da História
E de outras que estão bem vivas
Como a grande Rainha Vitória;

De Colombo e sua roda,
De Santo Antônio e do Papa.
Pois, depois de selo é moda
Já ninguém do selo escapa.

Apesar receio, amigo,
Que à força de mandar selos
Fique eu doido e vós comigo
à força de recebê-los.

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